terça-feira, 18 de março de 2008
sábado, 8 de março de 2008
quinta-feira, 6 de março de 2008
Com Dr. Carlos Gomes

Há quantos anos trabalha como coordenador de investigação criminal? Este foi sempre o seu trabalho? Que formação recebeu?
CG – Trabalho como coordenador de investigação criminal de Leiria há seis anos, estou na polícia há 27 anos e sou licenciado em direito.
O pedófilo é uma pessoa aparentemente normal?
CG – Sim
A pedofilia é apenas um crime cometido por homens?
CG – Não
Qual é a diferença entre um pedófilo e um abusador sexual?
CG – A pedofilia está sempre ligada a crianças. É considerado um abuso sexual quando o crime é praticado sobre uma pessoa com mais de 14 anos.
Com que provas/ indícios iniciam uma investigação de pedofilia?
CG – De várias formas: a partir da participação de familiares próximos (ou de quem suspeita deste tipo de crime) ou através da participação de centros de saúde ao analisarem as vítimas com grandes lesões.
É fácil apanhar um pedófilo?
CG – Não é fácil porque é um crime que deixa poucos indícios. Os abusos não deixam sequelas físicas. É mais fácil detectar quando ocorre entre sexos opostos.
Que pretextos utiliza o pedófilo para justificar os seus actos?
CG – Não utiliza pretextos. Para justificar os seus actos, diz “A criança provocou-me”.
Quantos anos, aproximadamente, de prisão apanha um pedófilo?
CG – Entre 5 a 10 anos.
O pedófilo após ter sido detido apresenta algum sinal de arrependimento? Se sim quais?
CG – Após ter cumprido a pena não se sabe se essa pena terá sido suficiente para o pedófilo se sentir, até porque este problema pode resultar de um erro na informação da pessoa ou de um problema genético.
Como é que o pedófilo escolhe as suas vítimas?
CG – Depende de cada um, no entanto a maioria ocorre em seio familiar ou na vizinhança, logo não se trata de escolher uma vítima, mas de aproveitar uma oportunidade
Quando é que é considerado crime de pedófila?
CG – É considerado um crime de pedofilia quando a vítima tem menos de 14 anos.
As crianças abusadas sexualmente que são submetidas a interrogatórios, como as preparam? Terão competência* suficiente, depois de tal sofrimento? Como lidam com elas? Quem fala com elas e as leva a criar um clima de confiança e abertura? *Capacidade de comunicar de forma que o juiz entenda
CG – Segundo um artigo que li, as vítimas são submetidas em média a 8 interrogatórios desde que são abusadas: antes dos exames médicos, depois dos exames médicos, pelo ministério público, em tribunal…A brigada tem gente específica para estes casos, com formação profissional, para lidar com estas crianças. Os depoimentos da criança são feitos na ausência do pedófilo.
Os criminosos também têm algum tipo de acompanhamento psicológico?
CG – O IRS (Instituto de Reinserção Social) tem como obrigação acompanhar os pedófilos na sua reinserção social.
O que é que é considerado crime na área da pedofilia na Internet?
CG – Nalguns países quem possuir fotos de crianças em poses sexuais é punido. Em Portugal não. Apenas é considerado crime se essas fotos forem para comercializar.
Estes crimes de pedofilia tem penas muito baixas e muitas vezes são substituídos por multas. É verdade?
CG – Em termo jurídico este tipo de crime não pode ser substituído por multas. Só as penas inferiores a 5 anos podem ser substituídas por multas.
A lei actua do mesmo modo perante um caso de pedofilia (“normal”) e um caso de pedofilia através da Internet?
CG – Sim. O que se estabelece através da Internet são contactos e as crianças, na sua ingenuidade falam com “loucos”. O crime em si é o mesmo.
Segundo a lei portuguesa, um adulto que mantiver uma conversa de natureza sexual com um menor de 14 anos está a cometer um crime. Qual é a pena máxima que pode ser aplicada?
CG – Pena até 3 anos.
A polícia portuguesa não se pode passar por menores nas salas de conversação ao contrário das autoridades norte-americanas, espanholas, suíças ou alemãs. Acha que essa lei impede em demasia a investigação deste tipo de casos?
CG – A polícia portuguesa não se pode fazer passar por menores nas salas de conversação porque não pode provocar ninguém ao crime. Por exemplo, se comprar droga é crime, a polícia não pode ir vender droga para prender os criminosos. A polícia anda a combater os crimes e não para os cometer.
Existe alguém especializado na PJ para “intersectar” comércio de fotos/vídeos com conteúdo sexual com as crianças?
CG – Sim. O Departamento Central em Lisboa.
Qual o papel dos pais, professores para prevenir que situações de pedofilia na Internet não aconteçam com os seus filhos ou alunos?
CG – Temos vários conselhos para os pais no site da PJ.
Sendo que a nossa zona contêm muitos encarregados de educação que não sabem utilizar um computador, que deveram eles fazer para proteger os seus filhos?
CG – Há uma grande dificuldade por parte dos pais em saber mexer em computadores, por isso os professores têm uma responsabilidade acrescida. A melhor forma de prevenção é a educação. É necessário dar formação aos pais para saberem controlar e aconselhar os filhos. Recomenda-se que o computador esteja num local de acesso aos pais, como por exemplo uma sala.
Como apanhar o responsável/ a origem do comércio dessas imagens e vídeos de crianças? O que é que a população poderá fazer para ajudar a PJ?
CG – A população deve participar o crime à PJ, PSP ou à GNR.
Pode-nos contar algum caso que tenha conhecimento?
CG – Jovem através da Internet a tirar roupa por dinheiro. Outro caso em que o individuo se encontrava numa sala de conversação, quando alguém lhe perguntou se ele estava interessada em crianças de 7 ou 8 anos.
Quando alguém é abusado sexualmente poderá recorrer-se a dois processos jurídicos: tutelar ou de protecção e a criminal. É o que realmente acontece?
Em que consistem?
CG – Um menor quando abusado sexualmente, o crime é comunicado à comissão da Protecção de Menores que comunica à polícia e pode retirar imediatamente o menor à família.
Sabemos que a PJ de Leiria está ligada à Europol. O que é que isso implica? Há diferenças entre Portugal e a EU?
CG – Poderá haver diferenças a nível europeu, mas não muito significativas. Se ocorrer processos com ramificações na Bélgica ou na Holanda, somos informados em Portugal. Criminalidade Global só é combatida com uma polícia Global.
sábado, 1 de março de 2008
A carrinha não pegava....
e o mesmo aconteceu em Leiria...
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Resultados do Inquéritos realizados
6ºAno | Sim | Não |
Tens Internet em casa? | 74% | 26% |
Os teus pais sabem mexer em computadores? | 63% | 37% |
Os teus pais controlam o tempo que passas na Internet? | 37% | 63% |
Os teus pais alguma vez te explicaram os cuidados a ter na Internet? | 68% | 32% |
Alguma vez frequentaste algum chat? | 24% | 76% |
Tens Messenger? | 68% | 32% |
Alguma vez alguém muito mais velho meteu conversa contigo? | 8% | 92% |
Alguma vez te pediram para os adicionar no Messenger? | 28% | 72% |
Falas com alguém que não conheças pessoalmente pelo Messenger? | 10% | 90% |
Alguma vez deste informações tuas a pessoas desconhecidas? | 0% | 100% |
Alguma vez alguém que não conheces pessoalmente te perguntou se estavas sozinho em casa? | 2% | 98% |
Alguma vez enviaste alguma fotografia a um desconhecido? | 0% | 100% |
Já algum desconhecido te pediu a descrição física na Internet? | 2% | 98% |
Alguma vez usaste uma web cam? | 35% | 65% |
Alguma vez algum desconhecido te pediu para ligares a web cam? | 2% | 98% |
Já quiseram combinar encontros pela net? | 0% | 100% |
Já te sentiste incomodado com alguma coisa que um desconhecido te tenha dito nalgum chat ou no Messenger? | 4% | 96% |
9ºAno | Sim | Não |
Tens Internet em casa? | 84% | 16% |
Os teus pais controlam o tempo que passas na Internet? | 24% | 76% |
Alguma vez frequentaste algum chat? | 41% | 59% |
Tens Messenger? | 88% | 12% |
Costumas falar com desconhecidos na Internet? | 27% | 73% |
Alguma vez algum desconhecido tentou manter contigo uma conversa de cariz sexual? | 9% | 91% |
Já alguma vez algum desconhecido combinou encontro contigo? | 6% | 94% |
Se sim, o encontro chegou-se a realizar? | 20% | 80% |
A pessoa era como se tinha descrito? | 100%* | 0% |
Alguma vez deste informações tuas a pessoas desconhecidas? | 10% | 90% |
Alguma vez enviaste alguma fotografia a um desconhecido? | 14% | 86% |
Já algum desconhecido te pediu a descrição física na Internet? | 14% | 86% |
Algum desconhecido te pediu para ligares a web cam? | 17% | 83% |
Entrevista ao Encarregado de Educação e Técnico de Justíça Sr António
Entrevista ao Presidente da Associação de Pais do Colégio de São Miguel
Qual foi a sua formação profissional?
Ant-Tenho formação em áreas profissionais, exerci serviço militar, frequentei 2 anos de direito. Também trabalhei no ministério público como técnico jurista (primeiro auxiliar, depois adjunto).
Ant- Não foi por vontade própria. Foi ocasional. Dos 11 elementos acabei por ser nomeado para presidente.
Ant- Sim. O tema foi bem escolhido e acolhido pelos pais. Acho fundamental informar os pais para os perigos da Internet. Já houve outras formações aqui no colégio sobre drogas e hábitos de saúde.
Como Enc. Educação:
Ant-Alguns não têm. Mas para é para isso que existem as acções de formação. Vai até haver uma sobre informática para os pais terem noção do que é realmente um computador.
Acha que as crianças/ adolescentes têm consciência dos perigos que existem na Internet?
Ant-As crianças não têm consciência nenhuma. Existem muitas rasteiras em que até muitos adultos caiem.
Controla os seus filhos quando estes navegam na Internet?
Ant-Sim. Agora mais do que nunca.
Muitas vezes os pais vêem a Internet como um momento de paz para eles. Será essa a atitude correcta ?
Ant- Têm de ter noção: “os filhos não se arrumam na prateleira”. As crianças vulneráveis são alvos mais fáceis, estando mais expostas ao perigo.
Como fazer os filhos perceber que a Internet tem riscos e ensina-los a tomar medidas de segurança ?
Ant-Dando exemplos concretos (como contar historias que tenham lições de moral).
Ant-Os crimes não devem ser punidos, devem ser corrigidos. A prisão devia ter um carácter parecido ao das escolas de correcção de menores. Mas também acho que a liberdade dos reclusos devia ser mais restrita.
Entrevista ao jornalista autor da Reportagem "Como a Sábado apanhou um pedófilo em 6 minutos"
Entrevista ao jornalista Nuno Tiago Pinto
1-Há quantos anos trabalha na área do jornalismo?
N.P. – Tirei um curso de ciências internacionais na universidade da Lusíada, seguidamente fiz uma formação geral de jornalismo. Posteriormente trabalhei na SIC Notícias, depois no jornal Independente e actualmente na revista Sábado.
2-Quais eram os seus objectivos principais com a realização da reportagem?
N.P.- Os meus principais objectivos eram apanhar o pedófilo, queria saber se era tão fácil como parecia. Realmente foi muito fácil. Em seis minutos apareceu um jovem a pensar que eu era uma menina de doze anos.
3-Como conduziu a sua investigação jornalística?
N.P.- Tentei perceber que chats existiam, como me podia inscrever, arranjei fotos de uma criança de doze anos. Não podia provocar ninguém, apenas tinha que esperar. Quando me perguntavam a idade e eu dizia que tinha doze anos oitenta por cento das pessoas diziam-me para ter cuidado com os perigos que existem na Internet. Quando me pediam para ir para o Messenger punha a foto da criança.
4-Que ajudas teve para executar a reportagem?
N.P.- Não tive praticamente ajudas nenhumas. Foi através do computar que estava na redacção que falava com as pessoas. Um dos pedófilos com quem falei tinha fotos seminuas e também queria fotos da suposta criança. Quando montamos a operação para apanhar o pedófilo haviam fotógrafos nas janelas de um prédio, a pessoa correspondia a descrição.
5- Acha que a sua reportagem despertou o interesse dos leitores?
N.P.- Acho que sim. Recebi várias cartas de leitores e fui convidado para ir à TVI.
6-Como abordar um tema que é grave, mas que não é muito discutido?
N.P.- O tema é discutido, existem muitas notícias de pedofilia. Acho apenas que os temas deveriam ser mais abordados.
7- Acha que há falta de divulgação deste tema?
N.P.- Estes assuntos deveriam ser mais abordados a nível da escola, cada vez mais, as crianças utilizam o hi5, facebook … Era necessário estarem mais informadas.
8- As conversas feitas por si on-line, foram difíceis de obter?
N.P.- Após ter entrado no chat, passados seis minutos, já tinha alguém a meter conversa comigo. Em geral desligavam quando dizia que tinha doze anos.
9- Os resultados da reportagem foram os que esperava?
N.P- Sim. Muitas pessoas leram e ficaram alertadas com a notícia.
10- A polícia interveio na “encenação” que fez ao encontrar-se como pedófilo?
N.P.- Não. A polícia não interveio.
11-Não teve vontade de “partir a cara” aos pedófilos?
N.P.- Foi uma situação constrangedora. Era difícil falar com os pedófilos, dava a volta ao estômago. È claro que se sente vontade de lhe “ partir a cara”.
12- Como agiram os pedófilos quando confrontados com a situação?
N.P.- Quando contactei com um dos pedófilos, já fora da encenação, ele negou tudo. Um ex-militar não atendeu o telefone, outro homem desculpou-se, disse que foi um erro, que a criança o tinha provocado e que a situação não se voltava a repetir.
13- Acredita na intervenção eficaz da polícia?
N.P.-A polícia intervém como pode, acho que deveria poder agir mais. Temos de acreditar no trabalho que faz.
14- Qual é para si a grande solução para o problema da pedofilia na Internet?
N.P- A palavra-chave é a PREVENÇÃO. Os pais devem falar com os filhos sobre os cuidados a ter quando se navega na Internet, também devem fazer um esforço para aprender a trabalhar com o computador, assim têm um maior “controlo” dos filhos. È necessário que o encarregado de educação saiba ir ao MSN, ao hi5. Os pedófilos aproveitam o distanciamento dos pais para “atacar” as suas vítimas, por isso ser necessária a sua formação.
As nossas "saídas de campo"
- Realizamos inquéritos para tentar saber um pouco mais sobre os hábitos dos adolescentes na Internet ao 6º e 9º anos;
- Realizamos entrevistas ao Dr Carlos Gomes, Coordenador do Departamento de Investigação de Leiria , ao jornalista da revista Sábado autor da reportagem jornalística "Investigação Exclusiva: Como a Sábado apanhou um pedófilo em 6 minutos" de Nuno Tiago Pinto e ao Presidente da Associação de Pais;
- Pesquisa de reportagens, notícias e outros materiais necessários ao nosso trabalho final;
- Entrevistas à psicóloga da escola para interpretação dos inquéritos;
- Realização de um artigo para o Jornal da escola o "Espiral";
- Participação no concurso Safer Internet Day.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Como alunas preocupadas com a pedofilia na internet resolvemos participar no concurso que tem como lema: "A vida online é o que tu fazes dela" do Safer Internet day.
Para isso fizemos um vídeo em Inglês que apela à utilização cautelosa da net.
Para mais informações consultem:
http://www.saferinternet.org/ww/en/pub/insafe/sid/sid_2008_guidelines.htm
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Sou apenas criança !
A quem roubaram
Toda a ingenuidade e toda a dignidade.
Na minha infância...
jamais existiriam pessoas más
Mas tão más, que são capazes de nos fazer mal.
Nas minhas histórias de encantar...
O lobo mau e as bruxas más nunca vencem
Nas minhas histórias de encantar...
O bem vence sempre e há um final feliz.
A história que eu vivi
Foi muito diferente daquelas que me contaram.
Vivi um mundo de ódios e injusto
Hoje,
Tenho espelhado no meu rosto a tristeza,
E tenho em mim uma angústia
Por saber que milhares de crianças
Sofrem o que eu sofri.
Crianças que nunca o foram
Vitimas de uma crueldade pura: PEDOFILIA.
Será que ninguém repara,
Que sou apenas uma criança?